Bibliotecas Digitais para as Humanidades: novos desafios e oportunidades

Bibliotecas Digitais para as Humanidades - apresentação

 

Guerreiro, Dália Maria & José António Calixto & José Luís Borbinha. 2012. Bibliotecas Digitais para as Humanidades: novos desafios e oportunidades. 11.º Congresso da Congressos Nacionais de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas: Integração, Acesso e Valor Social. Lisboa, 18-20 out. 2012.
http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/354

Artigo apresentado no 11.º Congresso da Congressos Nacionais de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas: Integração, Acesso e Valor Social. Lisboa, 18-20 out. 2012.

RESUMO

A investigação, subordinada ao tema “Bibliotecas Digitais para as Humanidades: novos desafios e oportunidades”, desenvolve-se no âmbito do Programa de Doutoramento em Ciências da Informação e da Documentação, na Universidade de Évora.

No decurso desta investigação, far-se-á um levantamento das bibliotecas digitais mais relevantes e constituídas essencialmente por catálogos e coleções de reproduções digitais de documentos manuscritos, códices, incunábulos, livro antigo, cartografia e iconografia.

Serão analisados os seguintes pontos: objetivos e governação; conteúdos e políticas de gestão; tecnologia de suporte aos conteúdos e serviços, especialmente no que se refere às técnicas utilizadas para a gestão dos catálogos, a pesquisa e a recuperação da informação, os formatos dos conteúdos, etc.

O principal objetivo deste projeto é elaborar e propor um conjunto de procedimentos e de boas práticas relevantes para o desenho, criação e manutenção de bibliotecas digitais para a área das Humanidades.

Dado que o objetivo é efetuar uma análise no âmbito do digital para as humanidades (Digital Humanities), pretende-se avaliar a relação e a interação entre os recursos informáticos disponíveis e a pesquisa, a análise, a divulgação e a recuperação efetuadas no âmbito das bibliotecas digitais, incindindo especificamente no âmbito da investigação em ciências humanas.

Através desta análise, deverá ser possível responder às seguintes questões fulcrais: quais as carências e as expetativas sentidas pelos investigadores; que alterações permitiriam a otimização dos recursos existentes para a investigação no âmbito das humanidades; que outras alterações poderiam ser implementadas em função da evolução tecnológica.

A investigação ativa irá basear-se no método qualitativo do grupo focal. Serão criados dois grupos distintos, sendo um constituído pelos produtores das bibliotecas digitais e, o outro, pelos respetivos utilizadores. O grupo dos produtores será constituído por técnicos e especialistas que participem na conceção, criação e elaboração de bibliotecas digitais: técnicos de informática e de multimédia; profissionais na área de documentação e de comunicação de bens patrimoniais, como arquivistas, bibliotecários e curadores de museus. O grupo dos utilizadores será constituído por investigadores em atividade na área das ciências humanas e versando um leque variado de disciplinas como a antropologia, a história e a história da arte, a comunicação, os estudos linguísticos, etc.

Através deste método, far-se-á a recolha de opiniões dos vários intervenientes quanto à apresentação da informação disponibilizada numa amostra de bibliotecas digitais, bem como das respetivas funcionalidades e dos aplicativos utilizados. A combinação entre as respostas dos dois grupos, permitirá, por um lado, aferir aquilo que os utilizadores consideram positivo ou negativo nas atuais bibliotecas digitais e, por outro lado, ponderar acerca de possíveis alterações a implementar para que se tornem mais eficientes em função da evolução tecnológica.

O projeto de investigação encontra-se na fase inicial, pelo que nesta comunicação se propõe fazer a apresentação do estado da arte do digital humanities.

A era digital veio alterar o modo como se produz e divulga a informação. Alguns investigadores na área das humanidades mostraram-se atentos às potencialidades das novas tecnologias desde os primórdios do seu desenvolvimento. O projeto Index Thomisticus, desenvolvido desde 1949, por Robert Busa, é considerado a primeira experiência no âmbito da aplicação da computação aos estudos linguísticos e, nomeadamente, à indexação e à lematização (isto é, a identificação da raiz das palavras) das obras de S. Tomás de Aquino. Esta experiência impulsionou o desenvolvimento de um novo ramo de investigação, a computação para as Humanidades (humanities computing). (Siemens, 2008)

Desenvolvendo-se a partir da computação para as Humanidades, o digital para as Humanidades (digital humanities) procura conciliar os conhecimentos e os métodos utilizados nas ciências humanas com o mundo digital. Em termos genéricos, o digital para as Humanidades engloba o conjunto de pesquisas e experiências que visam facilitar a utilização dos recursos digitais, tornando-os mais intuitivos e acessíveis.

Uma componente significativa do acervo das bibliotecas digitais é a cópia digital (imagem) de documentos manuscritos e impressos (Oleck, 2012). Além disso, há uma pressão cada vez mais explícita para que estes espólios sejam disponibilizados através do universo ubíquo da World Wide Web. Os investigadores pretendem aceder aos documentos de que necessitam, independentemente do lugar físico onde os originais se encontram.

De acordo com o que tem vindo a ser referido nas publicações especializadas (Berry, 2012), a comunidade científica na área das humanidades considera pouco amigável a disponibilização de textos em formato de imagem, preferindo o hipertexto dadas as modalidades de pesquisa que permite. Por isso, têm vindo a ser criados, junto das universidades, grupos de trabalho com o objetivo de definir ferramentas, de desenvolver métodos e de gerir projetos no âmbito do Digital Humanities. A investigação procura adequar a disponibilização da informação aos parâmetros exigidos pelos investigadores e aumentar o nível de eficácia desses procedimentos.

Os projetos desenvolvidos recentemente neste domínio envolvem as várias áreas disciplinares das humanidades: arqueologia, história clássica, linguística, artes visuais, estudos teatrais, história da língua, estudos de informação, biblioteconomia, museologia, etc.

Destacam-se, a título de exemplo: no domínio dos estudos artísticos, o Google Art Project, que permite a visualização de obras de arte, numa versão virtual a duas dimensões, compensada pela possibilidade dos elevados índices de ampliação e complementada pela informação acerca dos objectos, além das ferramentas adicionais que permitem ao utilizador a criação de galerias pessoais em função dos seus próprios interesses; e, no domínio da linguística, o projeto Perseus, que disponibiliza textos clássicos em latim e grego com a respetiva tradução para inglês e, ultimamente, tem vindo a disponibilizar fontes noutras línguas (árabe, alemão, etc.), constituindo um exemplo de projeto colaborativo, congregando variadas instituições e de diferentes nacionalidades.

No âmbito das ferramentas desenvolvidas, não só para os investigadores de humanidades, como para a generalidade da comunidade científica, cita-se o exemplo do Mendley, uma aplicação informática que permite a gestão de bibliografias e a partilha de trabalhos realizados com a sua comunidade de utilizadores.

A teorização em torno do Digital Humanities corresponde essencialmente à reflexão conjunta elaborada pelos seus intervenientes, investigadores, informáticos e especialistas multimédia, e levada a cabo em encontros, seminários ou colóquios, cujos resultados são divulgados publicações impressas ou em formato digital. A maioria destas publicações efetua uma resenha dos projetos efetuados ou em curso, apontando algumas linhas de desenvolvimento, mas, genericamente, formulando mais questões do que apresentando soluções. O digital humanities é, atualmente, um campo fértil da investigação, o que se constata sobretudo através das inúmeras solicitações para a participação em eventos, mas o principal desafio é a sistematização da informação reunida (Gold, 2012).

Estão abertas várias linhas de investigação que estudam a otimização dos acervos digitais nas áreas da visualização da informação, da construção de semânticas coerentes, do tratamento e indexação de coleções de textos, da representação do espaço e do tempo e da edição digital para utilização académica e escolar.

 

Bibliografia:

BERRY, David M. – Understanding digital humanities. Houndmills, Basingstoke, Hampshire: Palgrave Macmillan, 2012.

GOLD, Matthew K. – Debates in the digital humanities. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2012.

OLECK, Joan – Creating the digital library. [S.l.]: Primary Research Group, 2012 edition.

SIEMENS, Ray e SCHREIBMAN, Susan –A companion to digital literary studies. Oxford: Blackwel, 2008.

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