Perfil do Grupo

Miriã e Elena (esq.), no dia da visita ao acervo (4 de abril de 2013) O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais (http://humanidadesdigitais.org) tem por objetivo explorar e interrogar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital, a partir dos desafios da construção de uma biblioteca digital de obras raras (a Brasiliana USP). É composto por vinte e oito pesquisadores, que vem conduzindo projetos nas áreas de Filologia, Linguística Computacional, Ciência da Informação e História da Ciência. O Grupo está sediado na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, órgão da Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, tendo sido oficialmente cadastrado no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq e no Sistema de Apoio à Avaliação e à Gestão Institucional da Universidade de São Paulo, Tycho, em janeiro de 2012.

História

O processo de formação do Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais teve início em 2009, a partir da reunião de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento em torno do trabalho de construção da Biblioteca Brasiliana Digital (http://www.brasiliana.usp.br). À época, um grupo de trabalho inicial havia sido atraído pelos desafios filológicos do processamento automático de textos no acervo digital da Brasiliana.

O Laboratório da Brasiliana Digital no canteiro de obras - Nossa sede, de 2009 a 2012
O Laboratório da Brasiliana Digital no canteiro de obras – Nossa sede, de 2009 a 2012

Assim, com uma pequena equipe de alunos da área de letras, apoiados por um pesquisador doutorando da área de linguística computacional, buscamos colaborar junto ao grupo maior do Laboratório da Brasiliana Digital (inaugurado no início de 2009 junto ao canteiro de obras do edifício em construção), com algumas pesquisas experimentais iniciais – financiadas graças aos programas Aprender com Cultura e Extensão, da Pró-reitoria de cultura e extensão universitária, e Ensinar com Pesquisa, da Pró-reitoria de Graduação da USP. O objetivo desses projetos era desenvolver instrumentos para pesquisas linguísticas com base no acervo, por meio da prospecção de materiais de interesse para a história da língua e do desenvolvimento e aplicação de métodos de preparação editorial e de instrumentação computacional para extração automática de informação dos textos mais antigos.

Gradualmente, a interação com pesquisadores de outras áreas ligados ao trabalho de formação da biblioteca digital motivou a ampliação do escopo e do alcance das pesquisas.

Nesse contexto, ao longo dos anos de 2010 e 2011 realizamos seminários e reuniões de estudo em torno de temas ligados à difusão do conhecimento no meio digital – e, nesse processo, novos pesquisadores passaram a se unir ao grupo original: inicialmente, professores das áreas de letras clássicas e letras modernas, depois professores da área de história, e da educação.

Como resultados principais desse período inicial dos trabalhos (2009-2011), podem-se apontar nove projetos de pesquisa conduzidos, e dez publicações e apresentações em eventos científicos por parte dos integrantes do grupo sobre esses resultados iniciais (cf. Produção Científica). Por fim, configura um resultado importante daquele período a proposta de criação do grupo atual, delineada a partir do final do ano de 2010, encaminhada aos órgãos de pesquisa competentes em meados de 2011, com registro concluído em janeiro de 2012.

O Auditório István Jancsó da Biblioteca Mindlin - 21 de março de 2013 (dois dias antes da inauguração...)
O Auditório István Jancsó da Biblioteca Mindlin – 21/03/2013 (a dois dias da inauguração)

No final de 2012, nos mudamos, com toda a equipe da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, para o novo edifício, que seria inaugurado em 23 de março de 2013.

Assim, ao longo desses primeiros quatro anos de atuação, a equipe consolidou-se com um grupo de vinte e oito pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, que se reúnem regularmente em torno da leitura e discussão de textos sobre o tema geral da história do conhecimento, organizam seminários e conduzem projetos de pesquisa – atualmente, temos 11 projetos em andamento. Um pouco desse trabalho pode ser visto também no blog Humanidades Digitais.

Descrição

Objetivos e Repercussões Esperadas

A repercussão mais ampla esperada pelo grupo é contribuir para a formação de um corpo consistente de reflexão crítica sobre a produção e difusão do conhecimento na perspectiva das humanidades. Esperamos oferecer um ambiente propício para a formação de pesquisadores interessados em uma pesquisa multidisciplinar sobre o problema do conhecimento – sua produção, sua circulação, seus sentidos.

Os objetivos esperados relacionam-se à exploração das novas possibilidades de criação e organização da informação articuladas pelo meio digital, mantendo em vista a possibilidade de questionar a pertinência da separação estanque entre as figuras do “produtor”, do “organizador” e do “receptor” de conhecimento neste contexto.

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Tela do eDictor, ferramenta para a edição filológica eletrônica (http://humanidadesdigitais.org/edictor/)

As experimentações a serem conduzidas pelo grupo poderão resultar na criação de materiais de divulgação do conhecimento e de formas de acesso voltadas para a ampliação e diversificação do público, bem como em metodologias voltadas para a descrição e a organização da informação e em programas computacionais desenvolvidos para o processamento da informação, com aplicação na construção de repositórios digitais. É relevante pontuar, neste momento, nosso compromisso com as tecnologias transferíveis e com o software livre.

Fundamentos

O elo inicial entre os pesquisadores deste grupo foi o desenvolvimento de um repositório digital a partir de um acervo de obras raras. O trabalho conjunto entre especialistas de diferentes áreas, necessário para o enfrentamento dos desafios técnicos e metodológicos envolvidos na construção de um repositório nesses moldes, instigou-nos à reflexão, fazendo moverem-se as diferentes perspectivas de pesquisa formadas a partir das vivências anteriores de cada componente do grupo.

Os fundamentos de nossa pesquisa, portanto, trazem como primeira marca a combinação conflituosa dos fundamentos herdados das nossas áreas de origem – a história, as ciências sociais, a ciência da informação, a linguística e a ciência da computação. A partir dessa heterogeneidade original, pretendemos, entretanto, construir um ambiente coeso de reflexão, dotado de um corpo metodológico comum.

A partir disso, o grupo se identifica como atuante no campo das chamadas “humanidades digitais”, já que reúne estudiosos oriundos primordialmente das “ciências humanas” em torno de investigações também voltadas para o processamento artificial da informação. Como é comum nesse campo de conformação difusa e recente, precisamos tomar como uma de nossas primeiras tarefas justamente a definição precisa dos nossos fundamentos de trabalho.

De partida, temos como horizonte comum uma perspectiva unívoca no que toca à ética fundamental e aos impactos sociais das nossas atividades de pesquisa e de seus produtos.

Consideramos que as modernas tecnologias da informação voltadas à formação de repositórios digitais aparecem como instrumentos fundamentais para a preservação dos patrimônios culturais nacionais, desde que garantido o princípio do acesso universal e democrático. Entendemos que essa garantia advém da aliança entre o desenvolvimento tecnológico e a formação de políticas públicas que fomentem e orientem a formação de redes comprometidas com normas e padrões de interoperabilidade e inclusão cidadã. Desta forma, o grupo estabelece o compromisso coletivo com os princípios do acesso livre e com uma postura crítica frente à interação entre circulação de informação e difusão de conhecimento no meio digital. Nossos princípios norteadores e nossa postura explica a união entre as duas frentes de pesquisa do grupo – desenvolvimento científico-tecnológico e reflexão crítica. Acreditamos que as duas frentes se complementam, uma vez que a perspectiva da democratização e do acesso livre coloca desafios interessantes para o desenvolvimento das tecnologias. A adoção dos princípios acima delineados impõe limites aos horizontes do desenvolvimento tecnológico possível – a meta da democratização do acesso, por exemplo, impede o direcionamento das tecnologias no sentido de recursos sofisticados com elevado custo de implementação e manutenção. O paradoxo que aí se desenha é apenas aparente: acreditamos que essa limitação, de fato, favorece a criatividade do trabalho de desenvolvimento – que se torna constantemente interpelado pela necessidade de criar recursos tecnológicos a um só tempo eficazes, transferíveis e democráticos.

Linhas de Pesquisa

As diferentes áreas do conhecimento envolvidas nas especialidades dos integrantes da equipe refletem-se nas três linhas de pesquisas definidas pelo grupo, assim resumidas:

  • Organização da Informação: Estudo das formas de organização e apresentação de informação em repositórios digitais. Desenvolvimento de metodologias para a descrição de objetos digitais e de sistemas virtuais centrados no usuário. Análise de diferentes perspectivas de gestão de fluxos e design da informação, com foco na sua adequação frente a diferentes contextos e necessidades de uso. Pesquisas sobre a relação entre a organização da informação e as políticas de acesso à cultura e de preservação do patrimônio memorial.
  • Produção e circulação do conhecimento: Estudo das relações entre conhecimento, poder e agentes intelectuais, tomando como base a abordagem histórica e científica dos espaços de produção e circulação do conhecimento. Inclui debates sobre seu desenvolvimento histórico, sobre história da leitura e da escrita, sobre os impactos sociais e econômicos dos novos mecanismos de difusão do conhecimento e sobre a construção de espaços e memórias históricas.
  • Representações do conhecimento: Estudo das formas de representação do conhecimento, em particular as que envolvem processos computacionais na reunião e recuperação de informação. Pesquisas em computação e em linguística, com ênfase no processamento da linguagem natural (reconhecimento de texto, descrição e recuperação da informação, ontologias, web-semântica). Pesquisas em história da ciência, com ênfase na epistemologia das formas de representação e nas suas repercussões discursivas sobre a construção do conhecimento.

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