Apresentação

Antes de mergulhar nesta tarefa, achei que seria útil fazer uma breve apresentação. Chamo-me Nuno Camarinhas e sou historiador e, evidentemente, até por me estar a associar pela primeira vez ao DHD, interessado pela aplicação de ferramentas informáticas à investigação, análise e divulgação histórica.

Um pouco de ego-história: acho que tudo começou quando comprei o meu primeiro computador a sério, um IBM 286, por alturas do segundo ano da Faculdade. Comecei a usá-lo para tratar informação. Como ainda era um aprendiz de historiador, e não tinha ainda fontes, tratava outro tipo de informação como bibliografia, discografia. Um dia reparei que o meu professor de História de Portugal da época moderna tinha um discurso especialmente colorido, como uma série de expressões recorrentes. Comecei a contabilizá-las, introduzi tudo no computador e, no final do ano, ofereci-lhe uma monografia com o tratamento estatístico do seu discurso. Ainda hoje acho que foi esse tratamento que me valeu um convite para integrar um grupo de investigação no final desse terceiro ano da Faculdade.

E foi aí que o mundo das “humanidades digitais” se abriu perante os meus olhos. Tive a sorte de ser acolhido numa equipa jovem e dinâmica, no ICS, coordenada pelo Prof. António Hespanha, onde funcionava uma série de projectos e todos lidavam de uma forma ou de outra, com informática aplicada à História. Escolhi o mais geek de todos: a digitalização de um livro jurídico do séc. XVII. Estávamos em 1992 e essa tarefa parecia-me uma coisa espacial. Findo esse trabalho, passei para outro projecto que marcaria o meu percurso posterior: uma base de dados bio-bibliográfica de juristas portugueses do Antigo Regime. O mergulho no mundo do historiador digital estava consumado. Finalmente ia mexer em fontes, ia retirar informação, ia inseri-la numa base de dados, ia tratá-la e analisá-la.

Depois fui ganhando autonomia e fui lançando projectos mais pessoais mas sempre fortemente inspirados, influenciados e calorosamente orientados pela experiência do ICS. Dos juristas passei para os magistrados. Às bases de dados juntei a análise de redes sociais e os sistemas de informação geográfica. Pelo caminho regressei à digitalização de fontes, numa experiência inesquecível que me foi proporcionada na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

Vou aproveitar este espaço para partilhar experiência mas, sobretudo, na esperança que daqui possam surgir colaborações futuras, porque as possibilidades são inúmeras.